sexta-feira, 2 de maio de 2014

1964, discurso de Malcon X na Organização da Unidade Afro - Americana


Boa Noite meus amigos(as) hj recebi um twitter de um amigo chamado Erivelton, falando sobre essa onda de racismo que esta havendo esta noite trago para vcs de
1964, discurso de Malcon X na Organização da Unidade Afro - American. Então já se passaram 50 anos esses discurso. Não gostaria que estas palavras fossem esquecidas chegar (SOMOS TODOS IGUAIS).


"Salaam Alaikum, senhor moderador, nossos distintos convidados, irmãos e irmãs, nossos amigos e nosso inimigos, todos que aqui estão.
Como muitos de vocês sabem, em março quando foi anunciado que eu não mais estava no movimento negro muçulmano, foi apontado que era minha intenção trabalhar entre os 22 milhões de Afro-Americanos não muçulmanos e tentar criar algum tipo de organização, ou criar uma situação em que os jovens – nossos jovens, estudantes e outros – pudessem estudar os problemas do nosso povo por um período de tempo e daí virem com uma nova análise e nos dar novas ideias e algumas novas sugestões de como abordar um problema com o qual outras pessoas têm lidado por muito tempo. E que nós deveremos ter algum tipo de encontro para determinar num futuro próximo se vamos formar um partido nacionalista negro ou um exército nacionalista negro.
Houve muitos de nosso povo através do país, de todos os tipos de trajetória de vida que tentaram eles próprios organizar suas ideias e chegar a algum tipo de solução para os problemas que todo o nosso povo tem confrontado. E esta noite estamos aqui para tentar e obter um entendimento dessas trajetórias.
Também, recentemente quando fui abençoado para fazer uma peregrinação religiosa a cidade sagrada de Meca, eu encontrei muitas pessoas de todos as partes do mundo, e ainda passei algumas semanas na África tentando alargar minha própria visão e abrir mais a minha mente para olhar o problema como ele é na realidade; uma das coisas que eu alcancei e cheguei a isso ainda antes de ir até lá, foi que nossos irmãos africanos ganharam sua independência mais rápido do que você e eu aqui na América. Eles também conseguiram reconhecimento e respeito como seres humanos muito mais rápido do que você e eu. Apenas dez anos atrás no Continente Africano, nosso povo estava colonizado. Eles estavam sofrendo todas as formas de colonização, opressão, exploração, degradação, humilhação, discriminação e todos os outros tipos de "ãos". E em pouco tempo eles ganharam mais independência, mais reconhecimento, mais respeito como seres humanos do que eu e você e eu tivemos. E nós vivemos num país que supostamente é a cidadela da educação, liberdade, justiça, democracia e todas essas palavras bonitas.
Então foi nossa intenção tentar descobrir o que nossos irmãos africanos estavam fazendo para obter resultados, daí nós poderíamos estudar o que eles fizeram e talvez ganhar com esses estudos ou nos beneficiarmos com suas experiências. E minha viagem por lá foi desenvolvida para ajudar a conhecer essas experiências.
Uma das primeiras coisas que as nações africanas independentes fizeram foi formarem uma organização chamada "Organização da Unidade Africana". Essa organização consiste em todos os Estados Africanos que chegaram a um acordo para submeter todas as diferenças e combinar seus esforços para eliminar de Continente Africano o colonialismo e todos os vestígios da opressão e exploração sofrida pelos africanos. Os que formaram a "Organização dos Estados Africanos" têm suas diferenças. E englobam provavelmente cada segmento e cada tipo de pensamento. Há alguns líderes que são considerados "pai Tomás" e líderes considerados como militantes. Mas mesmo os líderes militantes africanos podem sentar juntos à mesma mesa com líderes africanos que consideram "Pais Tomás", ou Tshombes, ou esse tipo de gente. Mas esqueceram suas diferenças com o único propósito de trazer benefícios a todos. E sempre que você encontra pessoas que não podem esquecer suas diferenças, é porque estão mais interessados em seus próprios propósitos e objetivos do que nas condições de todos. Bem, os líderes africanos mostraram sua maturidade fazendo o que os brancos americanos diziam que não podia ser feito. Porque se você relembrar quando foi mencionado que esses Estados Africanos iam reunir-se em Adis Abeba, toda a imprensa ocidental começou a espalhar a propaganda de que eles não tinham suficientes pontos em comum para encontrarem-se e sentar-se à mesma mesa. Ora, Nkrumah estava lá, um dos maiores militantes dentre os líderes africanos, e também Adoula, do Congo. Nyerere estava lá, Bem Bella, Nasser, Sekou Toure, Obote, Kenyatta, acho, estava lá, não lembro se o Quênia já era independente na época, mas acho que estava lá. Todos estavam lá a despeito de suas diferenças e foram capazes de sentarem-se juntos e formar o que ficou conhecida como a "Organização da Unidade Africana", que formaram uma coalisão e estão trabalhando em conjunção cada um deles contra o inimigo comum. Como vimos o que eles foram capazes de fazer, estamos determinados em tentar fazer o mesmo aqui a América entre os Afro-Americanos que foram divididos por nossos inimigos. Então formamos a "Organização da Unidade Afro-Americana" (OAAU, em inglês) que tem o mesmo propósito e objetivo – lutar contra quem quer que esteja em nosso caminho para trazer a completa independência dos Afrodescendentes no hemisfério norte e primeiro aqui nos Estados Unidos da América e conseguir a liberdade dessas pessoas usando de todos os meios necessários para isso. Isto é o que nos move. Nós queremos liberdade por todos os meios necessários. Nós queremos justiça por todos os meios necessários. Nós queremos igualdade por todos os meios necessários. Nós não sentimos que em 1964, vivendo num país que é supostamente baseado na liberdade e tido como o líder do mundo livre, não achamos que devemos nos sentar e esperar que algum deputado ou senador segregacionista do Texas em Washington D. C. mude suas ideias de que nosso povo busca um novo nível de direitos civis. Não, nós queremos isso agora ou pensamos que ninguém deve tê-lo.
O propósito de nossa Organização é começar bem aqui no Harlem, que tem a maior concentração de descendentes de africanos que existe na Terra. Há mais africanos no Harlem do que em qualquer cidade do Continente Africano. Por causa disso é que você e eu somos africanos. Se você pegar qualquer branco de surpresa aqui e agora mesmo, você o pega de surpresa e pergunta-lhe o que ele é, ele não diz que é americano e lhe diz que é irlandês, ou italiano, ou alemão, se você o pegar de surpresa ele não sabe o que você está buscando, e mesmo que tenha nascido aqui ele vai lhe dizer que é italiano. Bem, se ele é italiano, você e eu somos africanos mesmo que tenhamos nascido aqui.
Então começamos aqui em Nova York. Começamos no Harlem – e por Harlem queremos dizer Bedford – Stuyvesant, qualquer lugar nesta área. Onde nós vivemos, isto é o Harlem, com a intenção de espalhar por todo e Estado, e do Estado para o país, e do país para o hemisfério ocidental. Porque quando dizemos que somos Afro-Americanos, nós incluímos todos os Afrodescendentes neste lado do mundo. América do Sul é América. América Central é América. A América do Sul tem muitas pessoas de descendência africana e todos na América do Sul que são afrodescendentes são Afro-Americanos. Todos no Caribe, seja nas Índias Ocidentais ou Cuba ou México, se eles tem sangue africano são Afro-Americanos. Se estão no Canadá e tem sangue africano são Afro-Americanos. Se estão no Alaska, eles podem chamar a si mesmo de esquimós, mas se tem sangue africano são Afro-Americanos.
Então o propósito da OAAU é unir todos os afrodescendentes desta parte do mundo numa só força. E, uma vez que estejamos unidos aqui entre nós, vamos buscar a unidade com nossos irmãos na terra-mãe, no Continente Africano. Então, para que isto fique claro, eu gostaria de ler "Os Propósitos e Objetivos Básicos da OAAU", fundada aqui em Nova York, junho de 1964.
"A OAAU, organizada e estruturada por seções de Afro-Americanos que vivem nos EUA, foi concebida conforme os textos e o espírito da "Organização da Unidade Africana", que foi estabelecida em Adis Abeba, Etiópia, em maio de 1963.
"Nós, os membros da OAAU, reunidos no Harlem, Nova York:
"Convencidos de que é um direito inalienável de todo nosso povo controlar nosso próprio destino;
"Conscientes do fato de que liberdade, igualdade, justiça e dignidade são objetivos centrais para alcançar as legítimas aspirações dos afrodescendentes aqui na América, nosso esforço será em construir uma ponte de entendimento e criar as bases para a unidade Afro-Americana.
"Conscientes de nossa responsabilidade de incrementar os recursos naturais e humanos do nosso povo para seu total avanço em todas as esferas da atividade humana;
"Inspirados por nossa determinação comum em promover o entendimento entre nosso povo e a cooperação em todas as matérias pertinentes a sua sobrevivência e avanço, vamos apoiar as aspirações no nosso povo por irmandade e solidariedade numa grande unidade que transcenderá todas as diferenças de organização;
"Convencidos de que, de modo a traduzir esta determinação numa força dinâmica na causa das condições de progresso humano, condições para a paz e a segurança devem ser estabelecidas e mantidas; e por condições de paz e a segurança queremos dizer que temos que calar os latidos dos cães da polícia, nós temos que eliminar a violência dos policiais, nós temos que eliminar os jatos d'água nós temos que eliminar todas essas coisas que se tornaram características do chamado "sonho americano". Devem ser eliminados. Então viveremos em condições de paz e segurança. Nunca podemos ter paz e segurança enquanto um só Negro neste país sendo mordido por uma cão da polícia. Ninguém tem paz e segurança.
"Dedicada a unificação de todas as pessoas de descendência africana neste hemisfério e a utilização dessa unidade para que seja uma estrutura organizacional que será um projeto de contribuição do Povo Negro para o mundo;
"Persuadidos de que a Carta das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Constituição dos EUA e a Lei dos Direitos são os princípios nos quais acreditamos e que esses documentos, se postos em prática, representam a essência das esperanças da humanidade e da boa vontade;
"Desejosos de que todos os Afro-Americanos se unam a partir de agora para que o bem-estar e o bem viver de nosso povo seja assegurado;
"Estamos decididos a reforçar os laços de objetivos entre nosso povo, ultrapassando todas as nossas diferenças e estabelecendo um programa construtivo e não sectário para os direitos humanos;
"Nós, aqui presentes, apresentamos esta Declaração:
" I – Estatuto
"A OAAU deverá incluir todos os afrodescendentes no hemisfério ocidental, assim como nossos irmãos na África." O que significa toda pessoa de descendência africana, com sangue africano, pode tornar-se membro da OAAU, e todos os nossos irmãos e irmãs no Continente Africano. Porque não é apenas uma organização para unidade Afro-Americana, no sentido de que nós queremos unir todo o nosso povo na América do Norte, América do Sul e Central com o nosso povo no Continente Africano. Precisamos andar unidos para avançar unidos. A África não irá adiante mais rápido do que nós, e nós não andaremos mais rápido que a África. Nós temos um só destino e nós temos um só passado!
Em essência, o que estamos dizendo é que ao invés de nós ficarmos dando voltas por aqui procurando aliados na nossa luta por liberdade na vizinhança irlandesa, judia ou italiana, nós devemos procurar aliados entre pessoas que são como nós somos. É tempo de você e eu parar de fugir do lobo para cair diretamente nos braços da raposa a procura de alguma ajuda. Isso é uma enganação!
" II – Auto-defesa
"Desde que a auto-preservação é a primeira lei da Natureza, nós afirmamos o direito à auto-defesa dos Afro-Americanos. "A Constituição dos EUA claramente afirma o direito de todo americano possuir armas. E como americanos nós não iremos desistir de nenhum direito garantido na Constituição. A história da violência impune contra o nosso povo claramente indica que devemos estar preparados para nos defender nós mesmos ou continuaremos a ser pessoas indefesas a mercê da crueldade e da violência dos grupos racistas.
"Nós afirmamos que nas áreas onde o governo é ou incapaz ou não quer proteger as vidas e as propriedades do nosso povo, nós estamos em nosso direito de autoproteção através de quaisquer meios necessários." Isto é algo que você deve espalhar entre os nossos onde quer que você vá. Nunca os deixe terem suas mentes lavadas paras pensar que quando quer que avancem vendo que estão em posição de defender-se eles próprios, estejam agindo contra a lei. A única vez em que você está sendo fora-da-lei é quando você infringe a lei. É legítimo ter algo com que se defender. Ora, eu ouvi o presidente Johnson hoje ou ontem, acho que foi hoje, falando sobre a rapidez com que este país iria a guerra para defender-se. Ora, que tipo de otário você parece vivendo num país que irá a guerra num piscar de olhos para defender-se, e aqui você deve ficar parado em frente aos violentos cães da polícia e dos espancadores de olhos azuis, esperando por alguém que lhe diga o que deve fazer para se defender!
Esses dias acabaram, se foram, isto foi ontem. O tempo em que você e eu passivamente permitíamos a nós mesmos ser brutalizados é passado. Ser não violento somente com aqueles que não são violentos com você. E quando você me mostrar um racista não violento, ou um segregacionista não violento, então eu serei não violento. Mas não venha me ensinar como não ser violento com esses espancadores antes de ensiná-los a não ser violentos. Você nunca vê um desses brutamontes que não seja violento, é difícil para um racista não ser violento. Assim como é difícil para alguém inteligente ser não violento. Tudo no Universo reage se vê sua vida ameaçada, exceto os negros na América. Ele deita-se e diz: "Bata em mim, paizinho". É dito por aqui que "um homem com um rifle ou uma pistola só pode ser parado por uma pessoa que se defende com um rifle ou uma pistola". Isso é igualdade, Se o Governo dos EUA não quer que nós tenhamos rifles, então deve tirar os rifles dos racistas. Se não querem que eu e você sejamos não violentos, então tem que fazer os racistas deixarem de ser violentos. Não venham nos ensinar a não violência enquanto esses brutamontes são violentos. Esses dias acabaram. "Táticas baseadas exclusivamente em moralidade só podem ter sucesso quando você lida com pessoas que tem moral ou num sistema que é moral. Um homem ou um sistema que oprime um homem por causa de sua cor não é moral. É dever de todo Afro-Americano e cada comunidade Afro-Americana por este país proteger nosso povo contra assassinos das massas, contra os eu jogam bombas, contra os linchadores, contra os que batem nas pessoas, contra a brutalidade e contra os exploradores.
"Posso dizer aqui que ao invés de vários grupos negros declarando guerra uns aos outros, mostrando o quão militante eles podem ser quebrando a cabeça uns dos outros, melhor que fossem para o sul quebrar algumas cabeças de quebradores de cabeças. Qualquer grupo de pessoas neste país tem marcas de ataques de racistas – e não há lembrança de que eles tenham dado o sinal para pegar as cabeças de alguns racistas – ora, estão insanos dando o sinal para ir atrás da cabeça de ex-irmãos. Ou a do irmão X, não sei como colocar isso.
" III – Educação
"A educação é um elemento importante na luta por direitos humanos. Isso significa ajudar nossas crianças e nosso povo a redescobrir sua identidade e assim crescer em auto respeito. Educação é o nosso passaporte para o futuro, porque o amanhã pertence somente às pessoas que se preparam para ele hoje."
E eu devo assinalar aqui que quando estava na África não encontrei nenhum africano que não recebesse de braços abertos qualquer Afro-Americano que retornava para o Continente Africano. Mas uma coisa que todos disseram foi que cada um de nós neste país deveria tirar vantagem de todo tipo de oportunidade educacional disponível antes mesmo de pensar em falar sobe o futuro. Se você está cercado de escolas, vá para a escola!
"Nossas crianças estão sendo criminosamente maltratadas no sistema público escolar da América. As escolas para os Afro-Americanos são as mais pobres da cidade de Nova York. Diretores e professores falham em entender a natureza dos problemas com os quais trabalham e, como resultado, não conseguem cumprir o trabalho de ensinar nossas crianças.
Eles não nos entendem, nem entendem nossos problemas, eles não conseguem. "Os livros não falam nada a nossas crianças sobre as grandes contribuições dos Afro-Americanos para o crescimento e desenvolvimento deste país."
E eles não conseguem. Quando mandamos nossas crianças para a escola neste país elas não aprendem nada sobre nós além de que fomos colhedores de algodão. Toda criancinha que vai a escola pensa que seu avô colhia algodão. Ora, seu avô foi Nat Turner, seu avô foi Toussaint L' Overture, seu avô foi Hanibal. Seu avô foi um dos grandes negros que andaram por essa Terra. Foram as mãos de seus avôs que forjaram a Civilização e foram as mãos das suas avós que embalaram o berço da Civilização. Mas os textos dos livros não dizem nada às nossas crianças sobre as grandes contribuições dos Afro-Americanos no crescimento e desenvolvimento deste país.
"O plano de integração do Comitê de Educação é caro e inoperante; e a organização dos diretores e professores do sistema escolar de Nova York recusou-se a apoiar o plano para integrar as escolas, levando-o ao fracasso antes mesmo de começar. O Comitê de Educação desta cidade disse que mesmo com esse plano há dez por cento das escolas, no Harlem e na comunidade de Bedford Stuyvesant, no Brooklyn que não podem melhorar. Então o que devemos fazer? Isso significa que a OAAU deve fazer com que a comunidade Afro-Americana torne-se uma potente força para o próprio desenvolvimento educacional da comunidade.
"Um primeiro passo no programa para acabar com o sistema racista existente na educação é demandar que os dez por cento de escolas que o comitê de educação não vai incluir no plano sejam devolvidas e dirigidas pela própria comunidade Afro-Americana. Já que eles dizem que não podem melhorar estas essas escolas, porque deveríamos deixar que esses incompetentes continuem a administrar e a produzir este baixo padrão de educação? Não, deixemos que eles fiquem com este tipo de escola. Significa que queremos diretores e professores negros com livros sobre os Povos Negros. Queremos livros escritos por Afro-Americanos que sejam aceitáveis para nosso povo antes que possam ser usados nessas escolas.
"A OAAU vai selecionar e recomendar pessoas para servir nos comitês escolares locais onde a política educacional é feita e passada ao Comitê de Educação." E isto é muito importante.
"Através desses passos vamos fazer das dez por cento das escolas que pegamos os modelos que irão atrair a atenção das pessoas de toda a nação." Em vez de serem escolas nas quais os alunos tem um currículo incompleto, vamos torna-las em exemplos do que podemos fazer uma vez que tenhamos oportunidade.
"Se estas propostas não forem contempladas, vamos pedir aos pais Afro-Americanos para deixarem suas crianças fora das atuais escolas inferiores que frequentam. E quando essas escolas da nossa vizinhança forem controladas por Afro-Americanos, vamos retornar nossas crianças para elas.
"A OAAU reconhece a tremenda importância do completo envolvimento dos pais Afro-Americanos em cada fase da vida escolar. Os pais Afro-Americanos devem querer e ser capazes de ir até a escola e ver se o trabalho na educação de nossas crianças está sendo feito apropriadamente. "Essa coisa toda de colocar toda a culpa no professor está fora de questão. Os pais em casa tem tanta responsabilidade em ver o que está acontecendo na escola como um aliado do professor na escola. Então é nossa intenção não apenas desenvolver um programa educacional para as crianças, mas também para os pais, para que sejam cônscios de sua responsabilidade sobre onde a educação é feita em relação a seus filhos.
"Nós chamamos todos os Afro-Americanos do país para que vejam que as condições que existem no sistema educacional da cidade de Nova York é tão deplorável em suas atividades como são agora. Nós devemos estabelecer por todo o país nossas próprias escolas para treinar nossas crianças a tornarem-se cientistas, a tornarem-se matemáticos. Nós devemos entender a necessidade da educação de adultos e para programas de treinamento profissional que enfatizem uma sociedade em transformação, onde a automação tem o poder principal. Nós tencionamos usar as ferramentas da educação para ajudar no crescimento do nosso povo a um nível sem precedentes de excelência e auto respeito através de seus próprios esforços.
" IV – Política e Economia
As duas coisas são inseparáveis, porque os políticos dependem de algum dinheiro; sim, é disso de que eles dependem.
"Basicamente, existem dois tipos de poder que contam na América: poder econômico e poder político, com o poder social derivando desses dois. Para que os Afro-Americanos controlem seus destinos, devem ser capazes de controlar e afetar as decisões que controlam seu destino econômico, político e social. Isso só pode ser feito através da organização.
"A OAAU vai organizar a comunidade Afro-Americana quadra por quadra, para que a comunidade tenha noção do seu poder e do seu potencial. Vamos começar imediatamente um escritório para registrar eleitores, para que cada membro da comunidade Afro-Americana não registrado torne-se um eleitor independente."
"Não vamos organizar nenhum Negro para ser um democrata ou um republicano, porque ambos nos venderam; os dois nos venderam. Ambos são partidos racistas, e o partido democrata é mais racista que o partido republicano. Eu posso provar isto. Tudo o que você tem que fazer é nomear todos os que são Governo, em Washington D.C. agora mesmo. Eles são democratas e são da Geórgia, Alabama, Texas, Mississipi, Flórida, Carolina do Sul, Carolina do Norte, de algum destes estados de brutamontes linchadores. E ele tem mais poder do que qualquer branco do norte. De fato, o Presidente vem de um destes estados violentos. Do que estou falando? Texas é um estado bandoleiro, de fato, lá eles lhe enforcam mais rápido do que farão no Mississipi. Você nunca pensou que só porque um bandoleiro torna-se presidente ele cessa de ser um. Ele já era assim antes de tornar-se presidente e continuará a ser enquanto for presidente. Eu vou dizer a coisa assim como são. Eu espero que vocês entendam bem como as coisas são.
Nós propomos apoiar e organizar clubes políticos para apoiar candidatos independentes e para apoiar qualquer Afro-Americano já eleito que responde e é responsável para com a comunidade Afro-Americana. "Não apoiaremos nenhum Negro que seja controlado pela estrutura de poder dos brancos. Vamos iniciar um local para registrar eleitores, mas um local para educação de eleitores, para que nosso povo tenha entendimento sobre a ciência política e tornar-se capaz de ver qual a papel que a política joga no esquema geral. Então serão capazes de entender quando um político está fazendo o seu trabalho e quando não está. E sempre que um político não está fazendo seu trabalho nós o removemos, seja ele branco, negro, verde, azul, amarelo ou qualquer outra cor que eles possam inventar. "A exploração econômica da comunidade Afro-Americana é a mais brutal praticada sobre qualquer pessoa na América." De fato, é a mais violenta praticada contra qualquer pessoa na Terra. Ninguém é tão explorado economicamente como você e eu, porque na maioria dos países onde as pessoas são exploradas elas sabem disso. Você e eu estamos neste país sendo explorados e algumas vezes não sabemos disso. "O dobro é muito aluguel para infestação de ratos, rastejar de baratas e apartamento apodrecidos."
Isto é verdade. Custa-nos mais para morar no Harlem do que custa para morar em Park Avenue. Você sabia que o aluguel é mais caro em Park Avenue no Harlem do que Park Avenue no Centro? E no Harlem você tem de tudo naqueles apartamentos, como baratas, ratos, cães, gatos, e alguns outros visitantes disfarçados de donos do lugar. Os Afro-Americanos pagam mais pela comida, paga mais pelas roupas, paga mais pelo seguro do que qualquer um. É assim que acontece. Custa mais caro para você uma apólice de seguro do que para qualquer branco no Bronx ou onde quer que seja. A comida custa mais caro para você e eu do que para eles. É mais caro para você e eu viver na América do que para qualquer um e nós é que damos a maior contribuição.
Diga você que tipo de país é este. Porque devemos fazer os trabalhos mais sujos pelos menores salários? Porque devemos fazer os trabalhos mais pesados pelos menores salários? Porque devemos pagar mais caro pela pior comida e mais caro pelos piores lugares para viver? Eu lhes digo que nós fazemos isso porque vivemos num dos mais podres países que jamais existiram na Terra. É o sistema que é podre; nós temos um sistema decadente. É um sistema de exploração, da mais completa humilhação, degradação, discriminação – todas as coisas negativas que você possa lembrar, vai encontrar neste sistema que se disfarça em democracia. E o que fazem contra você e eu é pior do que o que fizeram os alemães contra os judeus, na Alemanha. Piores do que tiveram que passar os judeus. E você corre para estar pronto para ser convocado e ir para algum lugar e defender esse sistema. Alguém tem que virar sua cabeça do avesso.
"A OAAU irá travar uma luta sem descanso contra esses males em nossa comunidade. Deveremos ter organizadores para trabalhar com nosso povo para resolver esses problemas e começar um programa domiciliar de auto desenvolvimento. Em vez de esperar que o homem branco venha organizar nossa vizinhança, vamos fazer isso nós mesmos. Aqui está o nosso erro. Uma pessoa de fora não pode arrumar a sua casa tão bem quanto você. Um forasteiro não pode cuidar de suas crianças como você pode. Não pode cuidar das suas necessidades como você. Uma pessoa de fora não pode entender seus problemas tão bem quanto você. Você ainda está procurando por alguém de fora para fazer isso.
Nós vamos fazer isso ou nunca será feito.
"Nós propomos uma greve de aluguéis". Sim, mas não pequenos movimentos num só quarteirão. Todo homem no Harlem estará na greve. Traremos todos os Negros desta cidade; a OAAU não irá sossegar enquanto houver um Negro não participante da greve. Ninguém pagará aluguel. A cidade vai parar. E eles não podem nos colocar na cadeia porque elas já estão cheias com a nossa gente.
Sobre as nossas necessidades sociais eu espero não estar assustando ninguém. Eu deveria parar agora mesmo e lhes dizer que se você é do tio de pessoa que se assusta, que tem medo, nunca deveria aproximar-se de nós. Porque vamos assustá-lo pra valer! E você não terá muito para onde ir porque já está meio morto. Economicamente você está morto – morto e quebrado. Você foi pago ontem e já está duro agora mesmo!
Malcon X
 Meus amigos(as) desejo a todos uma ótima Noite.
Muita Paz para todos.
Força Sempre
Claudio Pacheco

Um comentário:

  1. Não conhecia a história de Malcon X, gostei muito, pude perceber que ele tinha uma linha mais agressiva que alguns líderes americanos anti-racismo da época, mas acredito que era muito difícil para uma pessoa com algum conhecimento cultural ter passividade com tamanhas injustiças. Achei interessante a comparação que ele fez com os descendentes europeus americanos, que tinham como nacionalidade os países de sua descendência (Irlanda, Itália etc.)...Vejo muito isso no Brasil - "Sou descendente de português, holandês, italiano, alemão etc. Não vejo brasileiros falar que teve suas origens de Cabo Verde, Congo, Quíloa e Zimbábue etc. Uma vez o Tony Garrido (Cidade Negra) fez um comentário que me tocou... - Nós viramos as costas para África, ou seja viramos as costas para nossas origens... Obrigado meu amigo, pela oportunidade de poder engrandecer minha cultura com esta obra e relíquia dos anos 60... Abs!

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